Marcos Bagno e as aulas online para Enem

Um dos pontos mais importantes para quem fará a prova do Enem é entender que a interpretação de texto depende de muitos outros conhecimentos que, de maneira isolada, parecem não fazer muito sentido. A compreensão das figuras e funções da linguagem, o uso da linguagem figurada ou da linguagem denotativa, a organização do discurso e por aí vai. Cada candidato que sonhe em olhar o resultado do Enem e ficar feliz precisa fazer vários exercícios e contar com aulas online de revisão para o Enem.

Leia o texto VI: trecho de um artigo do professor de Linguística da UNB, Marcos Bagno.

NADA NA LÍNGUA É POR ACASO:

ciência e senso comum na educação em língua materna

Quando o assunto é língua, existem na sociedade duas ordens de discurso que se contrapõem: (1) o discurso científico, embasado nas teorias da Lingüística moderna, que trabalha com as noções de variação e mudança; e (2) o discurso do senso comum, impregnado de concepções arcaicas sobre a linguagem e de preconceitos sociais fortemente arraigados, que opera com a noção de erro.

Para as ciências da linguagem, não existe erro na língua. Se a língua é entendida como um sistema de sons e significados que se organizam sintaticamente para permitir a interação humana, toda e qualquer manifestação lingüística cumpre essa função plenamente. A noção de "erro" se prende a fenômenos sociais e culturais, que não estão incluídos no campo de interesse da Lingüística propriamente dita, isto é, da ciência que estuda a língua "em si mesma", em seus aspectos fonológicos, morfológicos e sintáticos. Para analisar as origens e as consequências da noção de "erro" na história das línguas será preciso recorrer a uma outra ciência, necessariamente interdisciplinar, a Sociolingüística, entendida aqui em sentido muito amplo, como o estudo das relações sociais intermediadas pela linguagem.

A noção de "erro" em língua nasce, no mundo ocidental, junto com as primeiras descrições sistemáticas de uma língua (a grega), empreendidas no mundo de cultura helenística, particularmente na cidade de Alexandria (Egito), que era o mais importante centro de cultura grega no século III a.C.
Como a língua grega tinha se tornado o idioma oficial do grande império formado pelas conquistas de Alexandre (356-323 a.C.), surgiu a necessidade de normatizar essa língua, ou seja, de criar um padrão uniforme e homogêneo que se erguesse acima das diferenças regionais e sociais para se transformar num instrumento de unificação política e cultural.

Data desse período o surgimento daquilo que hoje se chama, nos estudos linguísticos, de Gramática Tradicional - um conjunto de noções acerca da língua e da linguagem que representou o início dos estudos lingüísticos no Ocidente. Sendo uma abordagem não-científica, nos termos modernos de ciência, a Gramática Tradicional combinava intuições filosóficas e preconceitos sociais.

As intuições filosóficas que sustentam a Gramática Tradicional estão presentes até hoje na nomenclatura gramatical e nas definições que aparecem ali. Por exemplo, a noção de sujeito que encontramos em importantes compêndios normativos se expressa como "o sujeito é o ser sobre o qual se faz uma declaração", ou coisa equivalente. Como é fácil perceber, não se trata de uma definição lingüística - nada se diz aí a respeito das funções do sujeito na sintaxe nem das características morfológicas do sujeito -, mas sim de uma definição metafísica, em que o próprio uso da palavra "ser" denuncia uma análise de cunho filosófico. Com isso, o emprego desta noção para um estudo propriamente lingüístico fica comprometido. Para comprovar isso, vamos examinar o seguinte enunciado:

(1) Nesta sala cabem duzentas pessoas.

Se tivermos de considerar a definição tradicional, seremos obrigados a classificar como sujeito o elemento "sala" do enunciado acima, já que é sobre a sala que se está "dizendo alguma coisa", se está "declarando algo". Ora, todos sabemos que no enunciado (1) o sujeito é "duzentas pessoas", porque, numa definição propriamente lingüística, o sujeito é o termo sobre o qual recai a predicação da oração e com o qual o verbo concorda.

Dificuldades semelhantes de lidar com as definições tradicionais aparecem quase a cada passo quando as estudamos com cuidado. Isso porque, repito, a Gramática Tradicional, ao se formar no século III a.C. como uma disciplina com pretensões ao estudo da língua (...) não produziu um corpo teórico propriamente lingüístico, mas se valeu de um importante aparato de especulações filosóficas que vinha se gestando na cultura grega desde o século V a.C., graças ao trabalho dos sofistas, de Platão, de Aristóteles Por tudo isso, a Gramática Tradicional merece ser estudada, como um importante patrimônio cultural do Ocidente, mas não para ser aplicada cegamente como única teoria lingüística válida nem, muito menos, como instrumental adequado para o ensino.

Além de ser anacrônica como teoria lingüística, a Gramática Tradicional também se constituiu com base em preconceitos sociais que revelam o tipo de sociedade em que ela surgiu - preconceitos que vêm sendo sistematicamente denunciados e combatidos desde o início da era moderna e mais enfaticamente nos últimos cem anos. Como produto intelectual de uma sociedade aristocrática, escravagista, oligárquica, fortemente hierarquizada, a Gramática Tradicional adotou como modelo de língua "exemplar" o uso característico de um grupo restrito de falantes:

" do sexo masculino;

" livres (não-escravos);

" membros da elite cultural (letrados);

" cidadãos (eleitores e elegíveis);

" membros da aristocracia política;

" detentores da riqueza econômica.

Os formuladores da Gramática Tradicional foram os primeiros a perceber as duas grandes características das línguas humanas: a variação (no tempo presente) e a mudança (com o passar do tempo). No entanto, a percepção que eles tiveram da variação e da mudança lingüísticas foi essencialmente negativa.
Por causa de seus preconceitos sociais, os primeiros gramáticos consideravam que somente os cidadãos do sexo masculino, membros da elite urbana, letrada e aristocrática falavam bem a língua. Com isso, todas as demais variedades regionais e sociais foram consideradas feias, corrompidas, defeituosas, pobres etc.
Ainda na questão da variação, os primeiros gramáticos, comparando a língua escrita dos grandes escritores do passado e a língua falada espontânea, concluíram que a língua falada era caótica, sem regras, ilógica, e que somente a língua escrita literária merecia ser estudada, analisada e servir de base para o modelo do "bom uso" do idioma. Essa separação rígida entre fala e escrita é rejeitada pelos estudos lingüísticos contemporâneos, mas continua viva na mentalidade da grande maioria das pessoas.

Fonte: (Artigo de Marcos Bagno publicado na revista Presença Pedagógica em setembro de 2006 e acessado no site http://www.marcosbagno.com.br/conteudo/textos.htm acessado em 08/12/2008.

QUESTÃO 16 (Descritor: identificar recursos de argumetação).

Assunto: língua portuguesa: variação e mudança.

Assinale a alternativa que APRESENTA um recurso argumentativo ausente no texto de Bagno.

a) Definição

b) Congratulação ao senso-comum

c) Exemplificação

d) Descrição sócio-histórica

e) Crítica a definições contrárias.

QUESTÃO 17 (Descritor: deduzir exemplos a partir de um conceito).enem-imagem-descomplica-é-bom-para-o-enem

Assunto: língua portuguesa: variação e mudança.

Releia a definição de língua construída por Marcos Bagno:

“Se a língua é entendida como um sistema de sons e significados que se organizam sintaticamente para permitir a interação humana, toda e qualquer manifestação lingüística cumpre essa função plenamente.”.

Mesmo a definição de língua do autor sendo abrangente, é possível conceber exemplos de manifestações lingüísticas nas quais não se cumpre a função defendida acima. Assinale a alternativa em que o enunciado pode se CONFIGURAR como um erro sob a perspectiva de Bagno.

a) Os meninos jogamos futebol.

b) Faz dois dias que constatei o inefável.

c) Os menino vai pescá.

d) Ventilador o trave abrir a e que num.

e) Aki, vc tah blz hj? Bjo! :)

QUESTÃO 18 (Descritor: verificar pertinência da interpretação).

Assunto: língua portuguesa: variação e mudança.

Sobre o texto de Marcos Bagno, é RAZOÁVEL afirmar que

a) O autor se mostra contrário ao uso da gramática em sala-de-aula.

b) Vê a lingüística como uma ciência que poda a criatividade.

c) Afirma que o preconceito tem suas origens alhures.

d) Sentencia que o erro é um processo que não pode ser relativizado.

e) Faz aproximações entre a fala e a escrita.

QUESTÃO 19 (Descritor: distinguir diferentes pontos de vista).

Assunto: língua portuguesa: a dimensão discursiva do texto.

Assinale a alternativa em que o enunciador se mostra IMPARCIAL no que diz respeito à gramática normativa.

a) “(...) concluíram que a língua falada era caótica, sem regras, ilógica, e que somente a língua escrita literária merecia ser estudada”.

b) “(...) não produziu um corpo teórico propriamente lingüístico, mas se valeu de um importante aparato de especulações filosóficas”

c) “(...) mas não para ser aplicada cegamente como única teoria lingüística válida nem, muito menos, como instrumental adequado para o ensino.”

d) “Sendo uma abordagem não-científica, nos termos modernos de ciência, a Gramática Tradicional combinava intuições filosóficas e preconceitos sociais”.

e) “(...) não se trata de uma definição lingüística - nada se diz aí a respeito das funções do sujeito na sintaxe nem das características morfológicas do sujeito”.

QUESTÃO 20 (Descritor: identificar mudança de sentida em função de mudança de termos).

Assunto: língua portuguesa: variação e mudança.

Assinale a alternativa em que há PERDA de sentido pela mudança do termo grifado pelo que consta ente parênteses.

a) “As intuições filosóficas que sustentam a Gramática Tradicional estão presentes até hoje”. (os entendimentos).

b) “A noção de "erro" em língua nasce (...), junto com as primeiras descrições sistemáticas de uma língua...” (perspectiva).

c) “(...) será preciso recorrer a uma outra ciência (...) a Sociolingüística, entendida aqui em sentido muito amplo” (dilatado).

d) “Sendo uma abordagem não-científica, (...) a Gramática Tradicional combinava intuições filosóficas e preconceitos sociais”. (visão).

e) “(...) mas se valeu de um importante aparato de especulações filosóficas que vinha se gestando na cultura grega.” (aparecendo).

gabarito dos exercícios de Português

QUESTÃO 16

B

QUESTÃO 17

D

QUESTÃO 18

C

QUESTÃO 19

A

QUESTÃO 20

E

Avaliação de redação sobre coerência e coesão

exercício-enem-interpretacao-descomplica (4)O Exame Nacional do Ensino Médio – Enem, foi instituído pelo Governo Federal com o objetivo principal de coletar dados para avaliar o nível do ensino oferecido pelas escolas da rede pública para os alunos do ensino médio (na época conhecido como curso do 2º Grau).  Ao longo dos anos, tem sido reformulado para melhor avaliar os alunos, mas algo que nunca mudou foi o foco na interpretação de textos e resolução de problemas. É isso que faremos nos exercícios abaixo. Vamos a eles com a clara ideia de que na prova do Enem, interpretar textos e construir uma dissertação coerente com a proposta e com proposta de intervenção são requisitos essenciais para qualquer candidato.

Lista de exercícios de escrita para Enem

1. Leia as frases abaixo e identifique os problemas de construção, relacionando-os com os itens a seguir:

A. O trânsito apresenta inúmeros acidentes graves. É preciso conhecer as causas para descobrirmos as possíveis soluções.

B. Pelé foi o melhor jogador de futebol que o mundo já viu. Maradona também foi o melhor.

C. Quando fazia chuva nas minhas férias, eu pensava que até é bom para descansar.

D. O progresso tecnológico avança a cada dia. A internet é o carro-chefe de todo esse avanço. Hoje, poucas pessoas ainda usam tevê sem controle remoto. As pessoas estão cada vez mais comodistas.

I. ( ) há contradição de ideias; segredos-do-enem

II. ( ) há contradição no uso da pessoa do discurso;

III. ( ) faltou relação do tópico frasal com a conclusão;

IV. ( ) há contradição no uso do tempo verbal.

2 - Numere os períodos de modo a constituírem um texto coeso e coerente e, depois, indique a sequência numérica correta.

( ) Na verdade, significa aquilo que um liberal americano descreveria (sem estar totalmente correto, porém) como conservadorismo.
( ) Nos Estados Unidos, liberalismo significa a atuação de um governo ativista e intervencionista, que expande seu envolvimento e as responsabilidades que assume, estendendo-os à economia e à tomada centralizada de decisões.
( ) A guerra global entre estado e mercado contrapõe ‘liberalismo’ a ‘liberalismo’.
( ) No resto do mundo, liberalismo significa quase o oposto.
( ) Esta última definição contém o sentido tradicional dado ao liberalismo.
( ) Esse tipo de liberalismo defende a redução do papel do Estado, a maximização da liberdade individual, da liberdade econômica e do papel do mercado. (Exame, 1/7/1998)
a) 1, 5, 3, 4, 2, 6
b) 3, 1, 4, 5, 6, 2
c) 2, 4, 5, 3, 6, 1
d) 4 , 2, 1, 3, 6, 5
e) 1, 3, 2, 6, 5, 4

Coesão e coerência textual

Corrija a notícia abaixo, eliminando as redundâncias e os absurdos. Reescreva e entregue o texto correto.

O DRAMA TRÁGICO DO TREM

Vinte pessoas morreram ontem, às 20:0 horas, tragicamente, em um sensacional, espetacular e belíssimo desastre, ocorrido em limites dentro da cidade de São Paulo, quando dois trens se chocaram fantasmagoricamente, na estação ferroviária local, em virtude de lamentável falha do descuidado guarda-chaves. Um dos passageiros foi completamente decapitado e sua cabeça, ao separar-se do corpo, provocou-lhe morte instantânea. Várias das infelizes vítimas foram transportadas para hospitais. A primeira de todas a ser submetida a uma melindrosa intervenção cirúrgica foi a Sr.a Felisberta Silva, digníssima e virtuosa dama da sociedade, a quem, nessa hora, das mais trágicas e horripilantes, rendemos o tributos de nosso maior respeito. O distintíssimo e delicado, além de eficiente, diretor da FEPASA, o Dr. Engenheiro M.A. Pedroso, disse que nos planos futuros da eficiente empresa está a adoção de equipamento automático, para que desastres assim não se repitam outras vezes.

Tema de redação sobre amizade

cafeEsta atividade de produção de textos pode ajudar os alunos a produzir textos que sejam semelhantes aos pedidos no Enem. Todo aluno deve se preparar de forma prática. De nada adianta estudar estruturas, técnicas que não são colocadas nunca em prática. Por isso mesmo, leve em consideração fazer textos que exijam de você e que saia da zona de conforto. Ela foi, inicialmente, usada na Fuvest e, caso queira revisar como se faz uma redação perfeita, clique aqui..

Tema de redação para estudar em casa

1-)

Em primeiro lugar (...) pode-se realmente “viver a vida”sem conhecer a felicidade de encontrar num amigo os mesmos sentimentos? Que haverá mais doce que poder falar a alguém como falarias a ti mesmo? De que nos valeria a felicidade se não tivéssemos quem com ela se alegrasse tanto quanto nós próprios? Bem difícil te seria suportar adversidades sem um companheiro que as sofresse mais ainda.

(...)

Os que suprimem a amizade da vida parecem-me privar o mundo do sol: os deuses imortais nada nos deram de melhor, nem de mais agradável.

Cícero, Da Amizade.

2-)

Aprecio no mais alto grau a resposta daquele jovem soldado, a quem Ciro perguntava quanto queria pelo cavalo com o qual acabara de ganhar uma corrida, e se o trocaria por um reino: “Seguramente não, senhor, e no entanto eu o daria de bom grado se com isso obtivesse a amizade de um homem que eu considerasse digno de ser meu amigo”. E estava certo ao dizer se, pois se encontramos facilmente homens aptos a travar conosco relações superficiais, o mesmo não acontece quando procuramos uma intimidade sem reservas. Nesse caso, é preciso que tudo seja límpido e ofereça completa segurança.

Montaigne, Da Amizade (adaptado)

3-)

Amigo é coisa pra se guardar,

Debaixo de sete chaves,

Dentro do coração...

Assim falava a canção

Que na América ouvi...

Mas quem cantava chorou,

Ao ver seu amigo partir...

Mas quem ficou,

No pensamento voou,

Com seu canto que o outro lembrou.

(...)

Fernando Brant/ Milton Nascimento

Cancão da América

4-)

(...)

E sei que a poesia está para a prosa

Assim como o amor está para a amizade.

E quem há de negar que esta lhe é superior?

(...)

Caetano Veloso, Língua

INSTRUÇÃO: a amizade tem sido objeto de reflexões e elogios de pensadores e artistas de todas as épocas. Os trechos sobre esse tema, aqui reproduzidos, pertencem a um pensador da Antiguidade (Cícero), a um pensador do século XVI (Montaigne) e a compositores da música popular brasileira contemporânea. Você considera adequadas as ideias neles expressas? Elas são atuais, isto é, você julga que elas têm validade no mundo de hoje? O que sua própria experiência lhe diz sobre esse assunto? Tendo em conta tais questões, além de outras que você julgue pertinentes, redija uma DISSERTAÇÃO EM PROSA, argumentando de modo a expor seu ponto de vista sobre o assunto. Seu texto deve ter, no máximo, 25 linhas.

Exercício com texto de O mundo de Sofia

Neste exercício vamos treinar um pouco mais de interpretação de textos. Todos sabemos que é o carro-chefe da prova de linguagens do Enem. Nele será avaliado se você entende bem um texto literário e, a partir dele, consegue responder perguntas relacionadas a vocabulário e entendimento de texto. Comece a fazer o exercício e depois confira o gabarito para saber como anda seu desempenho.

O texto: leitura e reflexão
O que é filosofia?
Querida/Sofia,
Muitas pessoas têm hobbies diferentes. Algumas colecionam moedas e selos antigos, outras gostam de trabalhos manuais, outras ainda dedicam quase todo o seu tempo livre a uma determinada modalidade de esporte.
Também há os que gostam de ler. Mas os tipos de leitura também são muito diferentes."Alguns leem apenas jornais ou gibis, outros gostam de romances, outros ainda preferem livros sobre temas diversos como astronomia, a vida dos animais ou as novas descobertas da tecnologia.
Se me interesso por cavalos ou pedras preciosas, não posso querer que todos os outros tenham o mesmo interesse. Se fico grudado na televisão assistindo a todas as transmissões de esporte, tenho que aceitar que outras pessoas achem o esporte uma chatice.
Mas será que existe alguma coisa que interessa a todos? Será que existe alguma coisa que concerne a todos, não importando quem são ou onde se encontram? Sim, querida Sofia, existem questões que deveriam interessar a todas as pessoas. E é sobre tais questões que trata este curso.
Qual é a coisa mais importante da vida? Se fazemos esta pergunta a uma pessoa de um país assolado pela fome, a resposta será: a comida. Se fazemos a mesma pergunta a quem está morrendo de frio, então a resposta será: o calor. E quando perguntamos a alguém que se sente sozinho e isolado, então certamente a resposta será: a companhia de outras pessoas.
Mas, uma vez satisfeitas todas essas necessidades, será que ainda resta alguma coisa de que todo mundo precise? Os filósofos acham que sim. Eles acham que o ser humano não vive apenas de pão. É claro que todo mundo precisa comer. E precisa também de amor e de cuidado. Mas ainda há uma coisa de que todos nós precisamos. Nós temos a necessidade de descobrir quem somos e por que vivemos.
Portanto, interessar-se em saber por que vivemos não é um interesse "casual" como colecionar selos, por exemplo. Quem se interessa por tais questões toca um problema que vem sendo discutido pelo homem praticamente desde quando passamos a habitar este planeta. A questão de saber como surgiu o universo, a Terra e a vida por aqui é uma questão maior e mais importante do que saber quem ganhou mais medalhas de ourcj nos últimos jogos Olímpicos.
GAARDER, Jostein. O mundo de Sofia. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. p. 24-5.

1. Sobre o texto lido, pode-se afirmar que a intenção do falante foi fundamental para determinar o tipo de texto, a linguagem e o modo como a mensagem se organiza. Pensando nisso, responda:

a) Por qual gênero optou o emissor?

b) No fragmento apresentado há um indicador da intenção do falante, o que nos permite concluir algo sobre a sua profissão. Qual a intenção do falante? Qual a sua provável profissão?

c) Que passagem do texto nos leva a essas conclusões?

d) Quem é o destinatário? Justifique sua resposta com um indicador gramatical.

2. Considerando os elementos da comunicação (quem escreve, a mensagem, para quem se escreve, o código utilizado, o assunto), você diria que o texto está organizado predominantemente em função de qual deles? Por quê?

3. O texto está estruturado em sete parágrafos, bem amarrados uns aos outros.

a) Os dois primeiros parágrafos apresentam afirmações genéricas. Que classe gramatical colabora para essa generalização?

b) O terceiro, o quarto, o sexto e o sétimo parágrafos são introduzidos por conjunções. Pense no texto como um todo e responda: Que relação podemos perceber entre esses parágrafos?

4. No segundo parágrafo, o remetente da carta fala sobre diferentes tipos de leitura. Qual a sua leitura preferida? Dê, para um provável interlocutor, um argumento favorável a esse tipo de leitura.

5. "Eles [os filósofos] acham que o ser humano não vive apenas de pão." Que outras necessidades do ser humano o remetente cita no texto?

6. Se colecionar selos, por exemplo, é um interesse "casual", como você classificaria a necessidade que o homem tem de saber "quem somos e por que vivemos"?

7. Escreva um parágrafo explicando por que é importante saber quem somos e por que vivemos.

Análise do tema de redação do Enem e comentários

Analisar um tema antigo com profundidade é excelente caminho para consolidarmos nosso aprendizado sobre as características da prova do Enem e para nos prepararmos para a prova deste ano.
Apresentamos, a seguir, algumas reflexões sobre o tema cobrado no ano passado. Primeiro, leia apenas a proposta de redação e pense, sozinho, sobre suas características e sobre a melhor forma de abordar o tema. Em seguida, acompanhe nossos comentários para ver que pontos precisam ser ajustados. Boa leitura!

Proposta de redação

A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema O MOVIMENTO IMIGRATÓRIO PARA O BRASIL NO SÉCULO XXI, apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

Ao desembarcar no Brasil, os imigrantes trouxeram muito mais anseio de refazer suas vidas trabalhando nas lavouras de café e no início da indústria paulista. Nos séculos XIX e XX, os representantes de mais de 70 nacionalidades e etnias chegaram com o sonho de "fazer a América" e acabaram por contribuir expressivamente para a história do país e para cultura brasileira. Deles, o Brasil herdou sobrenomes, sotaques, costumes, comidas e vestimentas.

A história da migração humana não deve ser encarada como uma questão relacionada exclusivamente ao passado: há a necessidade tratar sobre deslocamentos mais recentes.

Acre sofre com invasão de imigrantes do Haiti

Nos últimos três dias de 2011, uma leva de 500 haitianos entrou ilegalmente no Brasil pelo Acre, elevando para 1400 a quantidade de imigrantes daquele país no município de Brasileira (AC). Segundo o secretário-adjunto de Justiça e Direitos Humanos do Acre, José Henrique Corinto, os haitianos ocuparam a praça da cidade. A Defesa Civil do estado enviou galões de água potável e alimentos, mas ainda não providenciou abrigo.

A imigração ocorre porque o Haiti ainda não se recuperou dos estragos causados pelo terremoto de janeiro de 2010. O primeiro grande grupo de haitianos chegou a Brasileira no dia 14 de janeiro de 2011. Deste então, a entrada ilegal continua, mas eles não são expulsos: obtêm visto humanitário e conseguem tirar carteira de trabalho e CPF para morar e trabalhar no Brasil.

Segundo Corinto, ao contrário do que se imagina, não são haitianos miseráveis que buscas o Brasil para viver, mas pessoas da classe média do Haiti e profissionais qualificados, como engenheiros, professores, advogados, pedreiros, mestres de obras e carpinteiros. Porém, a maioria chega sem dinheiro.

Os brasileiros sempre criticaram a forma como os países europeus tratavam imigrantes. Agora, chegou a nossa vez - afirma Corinto.

Trilha da Costura

Os imigrantes bolivianos, pelo último censo, são mais de 3 milhões, com população de aproximadamente 9,119 milhões de pessoas. A Bolívia em termos de IDH ocupa a posição de 114° de acordo com os parâmetros estabelecidos pela ONU. O país está no centro da América do Sul e é o mais pobre, sendo 70% da população considerada miserável. Os principais países para onde os bolivianos imigrantes dirigem-se são: Argentina, Brasil, Espanha e Estados Unidos.

Assim sendo, este é o quadro social em que se encontra a maioria da população Boliviana, estes dados já demonstraram que as motivações do fluxo de imigração não são políticas, mas econômicas. Como a maioria da população tem baixa qualificação, os trabalhos artesanais, culturais, de campo e de costura são os de mais fácil acesso.
OLIVEIRA, R.T.
Instruções

•  O rascunho da redação deve ser feito no espaço apropriado.
•  O texto definitivo deve ser escrito à tinta, na folha própria, em até 30 linhas.
•  A redação com até 7 (sete) linhas escritas será considerada insuficiente e receberá nota zero.
•  A redação que fugir ao tema ou que não atender ao tipo dissertativo-argumentativo receberá nota zero.
•  A redação que apresentar proposta de intervenção que desrespeite os direitos humanos receberá nota zero.
•  A redação que apresentar cópia dos textos da Proposta de Redação ou do Caderno de Questões terá o número de linhas copiadas desconsiderado para efeitos de correção.

COMENTÁRIOS

1. A opção de tema

No seu edital, o Enem deixa claro que sua proposta da Redação é elaborada de forma a possibilitar que os participantes, a partir de uma situação problema e de subsídios oferecidos, realizem uma reflexão escrita sobre um tema de ordem política, social ou cultural, produzindo um texto de tipo dissertativo-argumentativo.

Por isso, não chega a causar surpresa a opção pelo tema O MOVIMENTO IMIGRATÓRIO PARA O BRASIL NO SÉCULO XXI. Além de exigir dos candidatos uma reflexão sobre uma questão importantíssima dentro do quadro socioeconômico atual, a banca sai de questões mais óbvias, como a violência e o meio ambiente, permitindo que os candidatos mais bem preparados sobressaiam. Prova maior ainda desse refinamento é que a"situação problema", mencionada no edital, não aparece explicitamente na frase-tema. Caberia ao candidato refletir sobre essa questão, com auxílio da coletânea, para que se pensasse no desafio suscitado e na intervenção necessária.

2. A frase-tema

É sempre importante começarmos uma dissertação pela análise das palavras que compõem a frase-tema. Repare que, embora a coletânea induzisse o candidato a focar casos específicos, como o dos haitianos e bolivianos, a frase em questão sugere que a preocupação deveria recair sobre o fenômeno "movimento imigratório para o Brasil" na atualidade e no futuro próximo ("século XXI").

3.  Coletânea

Composta por três textos, como já é costumeiro no Enem, a coletânea oferecida aos candidatos dava plenos subsídios para que uma redação consistente pudesse ser elaborada, ainda que não se tivesse conhecimento prévio sobre a questão.

O primeiro texto procura demonstrar que o acolhimento de imigrantes não é um fenômeno estranho à nossa cultura. Pelo contrário, nossa formação identitária revela traços inequívocos da presença de diferentes culturas em nosso território, em diálogo permanente. Em vez de um "lugar para trabalhar", os imigrantes buscariam "um novo lar".

A matéria sobre os haitianos ilegais no Acre é bastante provocativa. Depois de apresentar elementos referenciais no primeiro parágrafo, o locutor, sutilmente, passa a manifestar sua subjetividade. Perceba que a construção "Deste então, a entrada ilegal continua, mas eles não são expulsos" é, argumentativamente, favorável à permanência do grupo de imigrantes no território. Para fundamentar sua tese, ele aponta justificativas humanitárias (obtêm visto humanitário e conseguem tirar carteira de trabalho e CPF para morar e trabalhar no Brasil). O texto deixa claro, ainda, que não são apenas pessoas miseráveis que buscam abrigo na nossa terra, mas também profissionais qualificados que,sem dinheiro,buscam oportunidades de reconstruir suas vidas.O secretário-adjunto José Henrique Corinto deixa no ar uma reflexão importante: "Os brasileiros sempre criticaram a forma como os países europeus tratavam imigrantes. Agora, chegou a nossa vez".

O último texto aborda a questão dos bolivianos que, por viverem em condições miseráveis, têm procurado abrigo em países mais desenvolvidos, como o Brasil, dando ênfase à questão econômica para justificar esse movimento.

Em resumo, eis as ideias centrais:

Texto I

O Brasil é, histórica e culturalmente, bastante receptivo à imigração.

Texto II

Brasileiros sempre criticaram outros países pela intolerância e pelo desrespeito aos direitos humanos. Há pessoas qualificadas que buscam o nosso território.

Texto III

Brasil como potência regional, principalmente no que se refere à pujança econômica.

4. A relação entre a frase-tema e a coletânea: problematização

A coletânea nos permite entender o problema a ser enfrentado e para o qual se deve propor uma intervenção. É inegável que estamos diante de um processo de imigração (cujo destino é o Brasil), motivado pelo atual cenário de estabilidade econômica. Também é certo que nosso país sempre buscou a interação com diversas culturas para crescer. No entanto, estaríamos preparados para lidar com essa questão, dentro da conjuntura atual?

Muito mais que apenas explicar o movimento migratório (suas causas e consequências) era fundamental que se refletisse sobre o desafio que nos está sendo imposto por essa circunstância histórica, para que pudéssemos assumir uma tese, argumentar para sustentá-la e propor uma intervenção, com respeito aos direitos humanos.

5.  Encaminhamentos possíveis

É perfeitamente possível que o candidato se posicione em qualquer dos polos dessa discussão.
Parece que expressiva parte dos candidatos se posicionou contra a entrada de imigrantes ilegais, alegando que já teríamos mão de obra abundante e que precisaríamos garantir emprego e oportunidade para brasileiros, num país que ainda vive grandes desigualdades sociais.

Optando por esse viés argumentativo, deve-se tomar cuidado para que a proposta de intervenção respeite os direitos humanos e para que ela não seja utópica. Por exemplo, sugerir o patrulhamento das fronteiras, a exemplo do que fazem os americanos na divisa com o México, num país com nossas dimensões continentais, pode soar utópico. Uma boa possibilidade seria propor a cooperação econômica entre Brasil e países vizinhos, para que eles se fortalecessem, e seus habitantes não buscassem a imigração como forma de reconstruir a vida.

Outra parte dos candidatos mostrou-se favorável à inclusão desses imigrantes à nossa sociedade, apoiando-se em questões humanitárias, na diversidade característica da nossa formação cultural e no potencial econômico a ser desenvolvido no país.

Nessa linha, seria interessante propor, por exemplo, que se permitisse a incorporação digna desses novos membros à sociedade, fazendo com que eles tenham acesso a emprego e a programas sociais oferecidos pelo governo à população de baixa renda. Sob outro aspecto, o candidato poderia defender a necessidade de reforçarmos as bases do respeito e da tolerância no nosso território, para evitarmos episódios de violência (física e moral) que muitos países desenvolvidos enfrentam há anos.

Atividade de vocabulário da Mônica

Esta é uma pequena atividade da Turma da Mônica que pode ser usada no retorno às aulas para estimular o reconhecimento das palavras e retomar as aulas de Português. É uma atividade voltada para as séries iniciais, mas dependendo da turma, poderá ser usada com algumas adaptações. Clique sobre a imagem para redimensioná-la e depois imprima ou salve em seu computador.